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Camille Paglia
Paglia é uma dessas pessoas que eu conheço e admiro cada vez mais, à medida que conheço mais e passo a admirar. E também uma dessas coisas que norteiam vários dos pensamentos da minha vida, o que de algum modo explica o meu olhar banal pra tanta coisa.
E daí que isso é notícia velha, olha só, é de 1º de Junho que está aqui arquivado e só agora eu resolvo escrever. Foi mal galera, mas vale a pena. O Pedro Doria fez essa entrevista com ela onde fala sobre a corrida presidencial americana e dá pra conhecer a maneira como ela pensa, além é claro de ter uma visão bem interessante sobre os candidatos.
O debate político não tem mais nenhuma profundidade e segue embalado por uma mentalidade raivosa de nós contra eles. Como o nosso é um sistema bipartidário, já há uma tendência à polarização. Mas essa divisão foi reforçada, no início dos anos 90, pela ascensão da TV a cabo, com seus canais de noticiário contínuo. Nos programas de debates, os convidados são pré-selecionados para apresentar os argumentos da direita e da esquerda. Filtrados pelo pouco tempo de fala, fica a impressão de que aquelas mesmas idéias manifestadas daquela mesma forma representam toda a miríade de opiniões possíveis a respeito de assuntos complexos. Há raiva no ar. Aqueles que começam a se aposentar, no Senado, costumam dizer que houve o tempo em que havia mais colegialidade, maior disposição de chegar a um acordo com a oposição. Era possível governar buscando algum tipo de consenso. Se considerarmos o poder dos Estados Unidos no mundo, é muito grave o fato de que nada é decidido em Washington porque os políticos estão paralisados por uma rixa adolescente e tediosa que constantemente transforma em estereótipo o ponto de vista oposto.
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Um pouco. Os jovens não estão assistindo à televisão e há uma miríade de pontos de vista diferentes na web. Mas a desvantagem da web e dos blogs é que tudo vem muito fragmentado, são só pedaços pequenos de informação. A antiga habilidade do argumento elegante de editorialistas e colunistas é uma arte em extinção, e lamento isso. As pessoas que sabiam construir um argumento e colocá-lo num texto conciso e bem estruturado estão envelhecendo. Hoje, estamos cercados por mídia. A geração atual está em constante contato entre si, mas eles não têm um espírito de rebeldia, de vontade de mudança, que minha geração teve. É claro que éramos ingênuos e talvez até arrogantes ao exigir do mundo que mudasse. Mas os jovens, hoje, não têm essa ousadia. Não encontro a moça com 20 e poucos que tenha esse projeto de escrever um longo livro que será a grande obra definidora de algum assunto. Os jovens querem publicidade, querem aparecer. Mas a verdade é que basta um artigo publicado em uma revista de grande circulação que já é suficiente para render um contrato lucrativo com uma editora. O livro baseado no artigo é escrito em oito meses e o que temos são livros superficiais saindo um após o outro. Jamais esqueço que não podemos julgar o futuro pelos paradigmas do passado. Estamos vivendo um momento de grande mudança na comunicação e, com toda grande mudança tecnológica do tipo, há ganhos e perdas. Estou chegando a uma idade em que começo a me sentir velha e talvez esteja olhando para os jovens como a geração de meus pais olhou para as pessoas com minha idade.
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No exato momento em que a campanha de Hillary começou a descarrilar, uma moça publicou no YouTube um vídeo satírico em que representa Hillary como Norma Desmond, do filme Crepúsculo dos Deuses. É brilhante e foi muito barato. O preço faz diferença. Antigamente, em Nova York, um grupo amador podia montar uma peça com quase nada em um teatro fora da Broadway. Hoje não dá mais para fazer nada sem muito dinheiro. Teatro, cinema, dança. Na web é possível. Onde veremos outro Crepúsculo dos Deuses? Não existe mais. Na história é assim. Gêneros passam por períodos de grandes obras e aí entram em declínio. No fim, os jovens não recebem boa educação, consomem lixo da indústria cultural e nem sequer percebem que é lixo.
Acho que citei demais, mas enfim, Camille Paglia é bacana pra caramba e vale ler a entrevista e os livros dela. Qualquer dia eu cito mais alguma coisa, porque, enfim, essa mulher além de tudo é um desfile de cultura pop.
Categorias: futuro · la vie · pensamento
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Já passa de duas da manhã; meus dentes doem desde que passei a reeducar minha lingua a repousar no lugar certo, como ensinou minha fonoaudióloga; no Jô algumas velhinhas inexpressivas tocam… viola? O que é aquilo?; minha barriga ronca de fome, já que a última vez que eu comi algo foi lá pelas 8; não fui ao cinema assistir Indy e não fui na academia; começo a me chatear com o fato de ter que trabalhar amanhã bem cedo; mas eu me sinto livre.
É incrível como algumas coisas me deixam sempre preso. Às vezes são pequenas coisas, mas enquanto não acabam, por mais que eu esteja livre e tenha tempo para outras, não consigo alcançá-las; tenho que terminar a dita cuja antes. Pr’aqueles que percebem, isso pode atrapalhar bem a vida. Daí a gente volta a falar de tempo só pra pensar em como algo que pode demorar muito para acabar, pode foder com seu tempo livre, seu processo criativo, seu sono, enfim.
Eu terminei o último episódio de Queer as Folk hoje à noite e me sinto tão livre. Triste pra caramba, mas completamente livre para outras coisas. Assim que o dia amanhecer, recobro minha vontade pela novidade, depois de alguns meses da primeira à última temporada. E eu me sinto bem, porque embora Friends pra mim ainda seja a melhor série de todas, absoluta, e Gossip Girl preencha minha futilidade reprimida, Queer as Folk me ensinou bastante coisa.
Night… o/
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Etiquetado: preso, Queer as Folk, seriados, liberdade
Pra quem dirige por aí, a visão é óbvia: tem muito MUITO carro mesmo circulando nas ruas, hoje em dia. Nas últimas semanas, São Paulo vem batendo sucessivamente recordes de congestionamento e o Pedro Doria até cantou a bola: “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão!” Carros mais baratos, financiamentos em 240 meses sem juros, dinheiro aparecendo nas mãos de consumidores, enfim, não precisa ser muito inteligente pra perceber que ainda vai piorar mais.
E o que é mais assustador nisso tudo? Cada vez mais donas de casa terão seus carros próprios.
Eu sei que nesse ponto pode parecer absurdo o que você acabou de ler, mas eu quero mostrar porque donas de casa são uma grande ameaça ao trânsito nacional. Nacional mesmo, porque eu comecei falando de São Paulo, mas só vim escrever esse texto porque até mesmo Bauru, onde moro, e Catanduva, onde meus pais moram, cidades pequenas do interior, andam abarrotadas, congestionadas, lentas.
O que é fácil perceber é que em todos esses lugares o que mais falta é respeito no trânsito. Óbvio. Esse desrespeito na naior parte das vezes acontece pela falta de noção do que é trabalho em equipe, em grupo. E isso, senhoras e senhores, donas de casa não conhecem MESMO. Elas não estão envolvidas em trabalhos que exijam lidar com pessoas diferentes todos os dias, apenas sua própria família.
Uma vez no carro, é óbvio que elas não sabem dirigir para si e para os outros, elas apenas defendem os interesses da própria família, porque é apenas isso que elas conhecem. Daí que pela segurança elas andam a 30km/h numa avenida onde o máximo permitido é 60km/h, ficam 5 minutos paradas num cruzamento esperando sabe-se lá o que para atravessar a rua entre um carro e outro, trancam uma rua enquanto fazem suas 10 manobras necessárias em uma baliza, enfim, pela segurança da família prejudicam o coletivo todo.
É por isso que eu defendo: TIREM AS DONAS DE CASA DO TRÂNSITO. Ou então no mínimo exijam preparação e avaliações mais severas para elas. Isso sim é uma grande medida de melhoria.
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Etiquetado: congestionamento, donas de casa, grupo, respeito, segurança, trânsito
Ah, a balada. Daí que você gasta mais de um ano sem frequêntá-la pra descobrir logo na volta que, sim, você nasceu pra isso. Alguns minutos inspirando o vício dos outros no ar, a música batendo no chão e subindo pelos pés, os olhares, os corpos e as bocas e pronto, você se pergunta: Por que é que eu fiquei tanto tempo sem vir pr’esse lugar?
Até porque na vida a gente tem muitos objetivos. E isso quem não mora mais com o papai sabe que exige abrir mão de outras coisas. Mas se me permitem um conselho (e eu detesto ser conselheiro) uma boa festa, boa companhia, boa música e o drink certo deveriam ser a prioridade zero. Ao menos entre 7 da noite e 7 da manhã – afinal, alguém tem que pagar por isso.
E quando você está triste, ou só, ou mesmo afim de se acabar, é só ligar pra alguém, qualquer um e ‘bora pra festa. Porque a gente trabalha, se esforça e corre atrás do que precisa, mas quem mesmo precisa da gente é a balada. E não importa como você chegou lá, mas sozinho ou de mau humor só volta quem quer.
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